Rafael Baptista

Documentary Photographer
   
Possacos, Portugal Forgotten
Location: Lisbon
Nationality: Portuguese
Biography: Spent the last 3 years documenting other people´s lives to find out I am incapable of caracterizing what stands out in mine. The words fly right over my head as I´m trying to come up with things to say. If you´re still... read on
Public Story
Possacos, Portugal Forgotten
Copyright rafael baptista 2021
Updated 08/15/21
Location Possacos

Located in the municipality of Valpaços, the parish of Possacos, or Poçacos (as it was written) was, according to the document Memórias Paroquiais of 1758, a community of “neighbours” who, as José Hermano Saraiva attests in his book the “Concise History of Portugal” is a Latin expression with the genitive vici which means “small populated place”. It had already been inhabited by prehistoric populations and considered a “particularly favourable place for the settlement of communities” - stresses the municipality of Valpaços. From the Roman presence, only the bridges of “Arquinho (over the river Calvo), the one at Valtelhas (over the river Rabaçal), and the bridge at Pedra (over the river Tua) that connected the Tâmega and the Douro rivers. 

Through the document drawn up jointly by the parish priest (Father Baltazar Fernandes de Figueiredo) and the two Vicars (Dâmaso Osório de Queiroga and Father Francisco Pereira de Aial), Possacos was eighteen leagues from the “city of the Archbishopric (Braga) and “seventy leagues” of the “Kingdom capital” (Lisbon).  According to historians, after the consolidation of the independence of the Portucalense County, in the lands below the Douro, the lordly influence “was barely felt”. Possacos honours the system that has been diluted with latitude and is, therefore, witness to a “strong seigneurial implantation”. This system was maintained for a long time. Referencing the article “Possacos, old village” in the Jornal Duas Linhas, this was a “place chosen by noblemen and other employers to have a house, land, and people who worked for them there”.

According to former ACV president José Vieira, the lands are being abandoned as the older generation dies. They are worked by a “majority who is over 60 years old, has the fourth grade, but who wants to produce and produces (…) the “best oils and wines”. Those who make their living in agriculture pride themselves on being an integral part of Trás-os-Montes culture and, according to the current Mayor Amílcar Almeida, of “moving around 150 million euros in the wine, olive oil, and chestnut sectors”. In agreement, he said that "apart from the large cooperatives, local producers have been having difficulty in selling their products in large surfaces" and, as the dawn sets the pace, the land also becomes aware that young people aspire to a different future that does not involve traditional farming.

Opinion varies. If, on the one hand, the most pessimistic, such as Manuel António Medeiros Cardoso, 78 years old, believe that "only those who do not want to work" hardly "continue with agriculture" like their parents and grandparents”, men like Felix Ermenegildo, a free-time farmer, and businessman in France, believes that the solution lies in the consequent modernization of the workforce. Tradition divides the land into glebes and partialization acts as an obstacle to the development of the territory. "In France, the fields are bigger and are operated by partnership" - he points out - "an oral or written contract, which stipulates the way "how the production will be shared and how the associated charges will be supported" to a given land and where the owner contributes "in this partnership with the ceding of land or with the means of production to do so" instead of being on his own, typified by a "usufructuary" who "fits all the fruits that the goods enjoyed by another person may produce". 

 Here we see a large generational and territorial discrepancy. Therefore, there is an accentuated conflict of interests at an economic, social, and cultural level. Each generation points in different directions and the middle ground becomes something difficult to define



Situada no concelho de Valpaços, a freguesia de Possacos, ou Poçacos (como se escrevia) era, de acordo com o documento Memórias Paroquiais de 1758 uma comunidade de “vizinhos” que, como atesta José Hermano Saraiva no seu livro a “História Concisa de Portugal” é uma expressão latina com o genitivo vici que designa um “pequeno lugar povoado”. Tinha sido já habitada por populações pré-históricas e considerado um “local particularmente propicio à fixação de comunidades” - frisa o município de Valpaços. Da presença romana restam somente as pontes do “Arquinho (sobre o rio Calvo), a de Valtelhas (sobre o rio Rabaçal) e a de Pedra (sobre o rio Tua) que ligavam o Tâmega e o Douro.

Através do documento redigido em conjunto pelo Pároco (Padre Baltazar Fernandes de Figueiredo) e os dois Vigários (Dâmaso Osório de Queiroga e Padre Francisco Pereira de Aial), Possacos ficava a dezoito léguas da “cidade do Arcebispado (Braga) e “setenta léguas” da “capital do Reino” (Lisboa). 

De acordo com historiadores, depois da consolidação da independência do Condado Portucalense, nas terras abaixo do Douro, a influência senhorial “mal se fazia sentir”. Possacos honra o sistema que se foi diluindo com a latitude e é, portanto, testemunho de uma “forte implantação senhorial”. Este sistema manteve-se durante muito tempo. Referenciando o artigo “Possacos, aldeia velha” do Jornal Duas Linhas, este era um “local escolhido por fidalgos e outros patrões para ali terem casa, terras e gente que trabalhassem para eles”.

Segundo com o antigo presidente da ACV José Vieira, as terras vão sendo abandonadas à medida que a geração mais antiga vai falecendo. São trabalhadas por uma “maioria que tem mais de 60 anos, a quarta classe, mas que quer produzir e produz (…) os “melhores azeites e vinhos”. Aqueles que fazem do seu sustento a agricultura, orgulham-se em ser parte integrante da cultura transmontana e, conforme o atual Presidente da Câmara Amílcar Almeida de “movimentar cerca de 150 milhões de euros nos sectores do vinho, azeite e castanha”. Em concordância, o mesmo referiu que “tirando as grandes cooperativas, os produtores locais têm vindo a ter dificuldade em vender os seus produtos nas grandes superfícies” e, à medida que a aurora marca o compasso, também a terra se consciencializa de que os jovens que viu nascer, almejam um futuro diferente que não envolva a tradicional lavoura. 

A opinião varia. Se por um lado os mais pessimistas, como Manuel António Medeiros Cardoso, de 78 anos, creem que “só podem não ter fartura aqueles que não querem trabalhar” e que os jovens, “que não têm bons começos” dificilmente “continuam com a agricultura como os pais e os avós”, homens como Felix Ermenegildo, agricultor dos tempos livres e empresário em França, acreditam que a solução passa pela consequente modernização da mão de obra. A tradição divide os terrenos em glebas e a parcialização age como entrave ao desenvolvimento do território. “Em França, os campos são maiores e são explorados por parceria” – assinala- “um contrato oral ou escrito, onde é estipulada a forma “como que vai ser repartida a produção e como vão ser suportados os encargos associados” a determinado terreno e onde o proprietário contribui “nesta parceria com a cedência das terras ou com os meios de produção para tal” ao invés de ser por conta própria, tipificada por um “usufrutuário” a quem “cabem todos os frutos que o bem usufruído por outra pessoa possa produzir”.

Aqui se vê uma grande discrepância geracional e territorial. Acentua-se, portanto um conflito de interesses tanto a nível económico, social e cultural. Cada geração aponta em sentidos diferentes e o meio termo torna-se algo difícil de definir

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